Teoria a mais - Tempo a menos

Um mundo sem heróis

    Nem sei se considero que tenha muitos ou sequer algum herói neste mundo. Aqueles que habitualmente se referem ou em que as pessoas mais pensam, os pais, já não estão cá.

    Seguramente terei alguns ou até muitos, considerando grandes feitos colectivos, mas não tenho listas.

    O que acontece é que hoje morreram logo dois que assim os pensei, por mais distantes na galáxia e apreciação que lhes possa fazer. Refiro-me ao historiador, poeta, resistente, e mais, António Borges Coelho, cuja notícia de falecimento se veio juntar à que recebi logo de manhã, relativa a Paul Frehley, mais conhecido por Ace, guitarrista original e incomparável da banda KISS.

    Era sobre Ace Frehley que quis falar e da sua banda Kiss, da qual saiu por duas vezes, a última já há mais de vinte anos. A sua legião de fãs é grande, e muitos são seus indefectíveis, considerando que a banda sem ele nunca prestou. Não serei um fã indefectível, mas tendo a concordar ligeiramente, na medida em que era elemento indispensável para a magia envolvendo a música e visual do grupo.

    Não foi por isso que os deixei de ver em 2018, em Oeiras. Já em 1997 quase comprei o bilhete, com uma antecedência inédita, na semana em que o concerto em Portugal foi cancelado. Há sete anos não ia perder uma chance destas, mesmo sem Ace. O concerto foi óptimo, mesmo com o incómodo - ou desprazer -  dos dois "novos" (de há muitos anos), usarem a mesma pintura facial dos personagens de Peter Criss e Ace Frehley. Mas o negócio sempre foi de Gene Simmons e Paul Stanley, e vale a pena, e as peninhas.

    Se Ace Frehley era um herói, era porque tinha uma grande pinta. 

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    Ainda antes de conhecer a música deles a fundo, a meio-fundo, da minha infância guardo a memória da sua imagem e do som brutal de "I was made for loving you"! De pequenos toques, de pequenos sinais se criam lendas, nascem heróis. Também duma revista-póster brasileira guardo outra frase tão poderosa, pois foi da fase logo após a sua saída (1983): eu mal os conhecia, então, mas de tudo o que li e aprendi, de cada canto e de pernas para o ar, ficou a pergunta sempre, Ace voltará?

    Voltou em 1996, mas não o vi. E agora já não poderá voltar.

A world without Heroes is a world without sun

     Citação da canção de Kiss de 1981, creditada a Paul Stanley, Gene Simmons, Bob Ezrin e Lou Reed, este último que veio ajudar, por exemplo, nesta frase, com a última palavra. 

    Ace tocou mas não brilhou tanto nesta canção, mas hoje eu logo a comecei a cantar... "....is a world without Ace"

(Primeiro tele-disco dos Kiss na MTV. Outros tempos...)

 

 

--- depois do sentimento, continuo com explicação; depois do "mito" vem "teoria"

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