Teoria a mais - Tempo a menos

Máfia do Jamor

    Num reino encantado, no fundo dum vale, há uma cidade envolta em bruma onde se movem uns seres muito maus, mesquinhos e fedorentos.

    Eles são muito vaidosos do seu pântano, do seu borbulhar, dos feixes de luz que iluminam a mosquitagem. Uma beleza autêntica, por parâmetros próprios.

    Supõe-se, mas ninguém sabe bem, sobre o que fazem, ao que brincam, como se movem. Nem é preciso saber, a podridão, por mais verniz e efeitos de luz, sente-se. É uma corrupção moral.

    Aos olhos do mundo, lá estão eles. Um juizito que nunca ajuizou pela lei ser lei, mas que foi gerindo interesses, os seus e doutros. Um mercador de homens que tem portas abertas, porque abre e fecha as mesmas. Um polidinho, mais parece um vendedor de electrodomésticos, que dá sempre anos de garantia mesmo que avarie ao primeiro botão. Todo bien.

    Dos outros, dos que brincam na praia, ou passeiam nos prados, nem vale a pena falar, porque os há muito ricos e muitíssimo mais ricos, uns velhos e outro fora de prazo, uns pernetas, uns cornetas e marretas. tataratará...

    Até poderão triunfar - em histórias de encantar tudo é possível - mas sugam-se da dignidade e alegria alheia, da esperança e bondade de tantos, embora já vão contaminando muitos em raivas, quezílias, mas, sobretudo, na incapacidade de ver o que está lá. É o chamado vírus tuga, que ataca mais de quatro em quatro anos, até de dois em dois, mas que se foi instalando e tornando endémico. Palustre.

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