Teoria a mais - Tempo a menos

Portugal Mundial

    Não vou falar de futebol nem dizer mal de futebolistas. Do rapaz, já na "ternura dos quarenta", pensei logo que haveria de ser dos melhores de sempre, ainda jogava no nosso país. Com dois bons pés, boa corrida, finta, jogo de cabeça, visão de jogo, grande remate, ele era ímpar e poderia jogar em qualquer posição de ataque. Até poderia ter sido melhor e mais útil, não tivesse sido impelido, a certa altura, para comparações mediáticas e quebras de recordes.

    Mas o que me faz escrever é uma tendência e certo discurso de apoucar um país para enaltecer quem quer que seja. De dentro ou de fora, diminuir Portugal, como um estado, uma população milenar, uma comunidade de participação histórica e geográfica inigualável, é duma rudeza perversa, para além da óbvia ignorância atrevida.

    - Vou ser curto: já nos descontam na história e nos desconhecem a civilização; já há atrevimento em levarem-nos a língua, em acordos e "provocações"; agora também nos querem tirar os maiores, o mérito e a crítica. 

    Portugal não é maior do que o mundo, mas, de longe, é o que mais se aproximou de haver um mundo português. Desse muito já sobra pouco mais que ruínas e lembranças, mas ainda está presente em todo o lado, na memória mas também na sanha de quem ainda a quer apagar, ou mesmo destruir em vida.

    A questão não é se este Mundial é de Portugal ( isto é, se a equipa de futebol pode vencer a taça; até pode, mas isso passaria por outros critérios, umas coisinhas mais), mas é que neste Mundial, Portugal está por todo lado mesmo que ausente aos olhos de todos.

    Nas cerimónias de abertura, de que não vi mais do que resumos, há novas tendências pseudo-indígenas, "new age" bolorento, para substituir as verdades e mitos anteriores. Em nenhum dos casos Portugal é incluído, mas se houvesse verdade e conhecimento, todos aqueles países, Estados Unidos da América, México e Canadá, deveriam tê-lo na sua história primeira, quando o "Velho Continente" chegou ao "Novo Mundo". Foram portugueses a chegar ao Iucatão; a Massachusetts; ao Labrador e Terra Nova, e deixaram marcas e fizeram mapas. E até nomearam terras: digo eu, Canadá e América são nomes que se devem a Portugal!

    E há muitos outros nomes que démos, e que estão lá no Campeonato do Mundo de Futebol. Portugal é palavra que nasceu com o país, mas há mais outros baptizados por nós: Brasil, Cabo Verde, Curação, Costa do Marfim, além dos anfitriões mencionados. Não há outro caso que se compare. Agora que passou o dia do santo Baptista, há que lembrar o país seu devoto e continuador, que deu novos nomes ao mundo.

    Há tanto mais que iria dizer, mas fica o essencial, até porque este espaço está quase a fechar.

    Se houver sorte, e alguma "justiça", ainda veremos Portugal a ser campeão nas terras que trouxe para o Mundo.

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