Para além do valor artístico, dos temas e das formas literárias, da aceitação e alcance das suas obras, houve sempre, em Portugal, homens que recriaram a língua e construiram um mundo novo. Mais do que pelos heróis, os homens providenciais, os salvadores, foi entre os poetas, profetas da pena, que se moldou o espírito português. Tal como Gil Vicente, Camões, Bandarra, Padre Vieira, Bocage, Pessoa ou Pascoaes, que deixaram uma barca ou uma ilha, trova nova e Império, um jardim árcade, mensagem e saudade.
Descontando as piadas e as presidenciais, no nosso tempo surgiu em cena um velho conhecido de "má-fama" que destoou e surpreendeu pelo discurso, diz-se, disruptivo e desconcertante. Será uma coincidência que a palavra e utopia do Padre António Vieira tenha no palavrão e entropia do candidato MJ Vieira um inopinado reflexo?
O constitucional direito à Felicidade é a transposição do Quinto Império no século XXI.

No filme de Manoel de Oliveira, o actor Lima Duarte foi o Pe. António Vieira