Teoria a mais - Tempo a menos

O cordeiro e o tarot - 3

    Questiono-me como uma associação que parece óbvia, entre o Tarô e o disco "The Lamb lies down on Broadway",  nunca foi mencionada, e se mesmo assim valha a pena escrever sobre o que é evidente.


    Porém, dá sempre para aprender. Uma das coisas que não sabia antes é que o realizador chileno Alejandro Jodorowski, que seria convidado por Peter Gabriel, em 1979, para escrever um guião para levar esta história ao cinema, ( anteriormente, a colaboração com William Friedkin, tinha provocado o seu afastamento temporário do grupo), era leitor de Tarot, nomeadamente do seu filme de 1973 "A Montanha Sagrada", onde o herói é o "Louco" das cartas. Eis uma ligação clara.


    Eu não tenho conhecimento especial do Tarot, só conheço as figuras; e também não sou especialista dos Genesis, só conheço e gosto da música, mas mal as letras. Mas para fazer comparação já fiquei a conhecer um pouco mais ambos, e já comparei mais cuidadamente noutras ocasiões, coisa que pretendo explicar agora. Sigo o alinhamento, mas não vou fazer uma leitura aprofundada, somente interpretar ao de leve (respigando textos da Wikipedia) o que a respectiva carta pode significar em cada faixa: 


Lado A


The Lamb lies down on Broadway (o Louco)


    Apresentação do herói (Rael, jovem porto-riquenho, rei do spray, é um diminutivo de Gabriel, auto-biografado) que irá começar uma viagem de auto-conhecimento. O cordeiro é reflexivo. A frase final "...there's always magic in the air" abre para a faixa seguinte.


Fly on the windshield (o Mago)


    Inicia-se a viagem pela consciência. O sujeito enfrenta um muro de nuvens que o esmaga. É a magia do grande ecrã onde vai entrar.


Broadway melody of 1974 (a Sacerdotisa)


    A noite na Broadway é cheia de encantos e mistérios. A Papisa representa os segredos para lá da aparência das ruas e dos lares.


Cuckoo cocoon (a Imperatriz)


    O herói parece regressar ao útero materno ou ao berço. O casulo é um lugar seguro mas inesperado. A Imperatriz é o arquétipo da mãe, da fecundidade e da geração.


In the Cage (o Imperador)


    O imperador é figura paterna, a casa é uma gaiola donde uma criança procura libertar-se. Estalactites e estalagmites são os limites, e as regras em família. O irmão - o alter ego - foge do domínio.


The Grand Parade of Lifeless packaging (o Hierofante)


    A educação (civil/religiosa) tende a formatar. Uma grande parada de empacotamento sem vida será uma alegoria da escola. Uma fábrica onde o Papa doutrina e moraliza.


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(A completar?)


 


Continua na próxima postagem.


 

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