Teoria a mais - Tempo a menos

Herança Oureense

    A minha herança oureense vem do lado paterno, raíz avoenga das terras de Ourém, e desde sempre me reconheço como um neto seu.


    Do alto do seu castelo pode ver-se as províncias vizinhas, das serras e montes a norte e leste, às planícies e vales de oeste e sul. E, ainda, pode imaginar-se a sua história, muito tocada pelo seu Senhor mais marcante: o 4º conde de Ourém, Dom Afonso de Portugal, neto primogénito de D. João I e D. Nuno Álvares Pereira.


    Este eminente e intrigante personagem (um perfeito "vilão"?), foi dominante na corte, em meados do século XV. Reformou a sua vila, construiu a Sé Colegiada, o Solar, onde morou, e a fonte gótica, etc.


    Trouxe, por onde andou, muitas influências e informações para o nosso país, determinando artes e arquitectura, mais do que se conhece.


    Como enviado diplomático e embaixador, fez grandes viagens (c. 1429 a Flandres e Alemanha; c. 1432 Aragão; 1436-37 pela Península Ibérica, Península Itálica, Alpes, Renânia; Terra Santa, etc. ; 1451-52 a Itália) e, de regresso, edificou o seu poder.


    Estes eram temas do mestrado suspenso (pelos ditames de Bolonha, terei três - Coimbra, Porto, Algarve - à distância de entraves burocráticos) e são bocados de investigação ainda a publicar.


    Como o saber não deve ficar escondido tempo de mais, e porque tinha páginas "web" inactivas, com imagens abertas há muitos dias, resolvi reproduzi-las aqui, antes de as remover 


    A nossa história é mal conhecida e, apesar de avanços, há ideias feitas e pobres que se repetem há décadas ou séculos. Sobre as construções do conde de Ourém ainda se repetem os lugares-comuns de exclusivas influências italianas e moçárabes e magrebinas, esquecendo a importância doutros locais até mais visitados.


    Vejamos estes exemplos, com origem na Suíça alemã, à beira-Reno.


 


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Spalentor, Basileia, Suíça: o conde de Ourém esteve várias semanas na cidade, como embaixador ao Concílio da Igreja, em 1437. Esta era uma das portas do burgo.


Castelo_de_Porto_de_Mós_1.jpeg Castelo de Porto de Mós: era propriedade do 4º conde de Ourém, que aqui fez obras palacianas, provavelmente, mais tardias que as de Ourém.


img-7.png Relicário do conde de Ourém, MNAA: o conde juntou muitas relíquias das suas viagens e contactos. Este relicário é como um mini palácio, semelhante aos que viu e construiu, com umas torres idênticas.


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Cadeirão da Colegiada de St.º Estêvão, Valença do Minho: durante a sua carreira activa foi mais conhecido por 4º conde de Ourém, mas D. Afonso, nos seus anos finais (desde 1451), foi também marquês de Valença, e assim deveria ser chamado. Ele nunca esteve lá, mas possivelmente, entre receber os proventos da alfândega e mais rendas, também pode ter oferecido tesouros à terra, como parece ser este cadeirão, com a mesma linguagem do gótico internacional, nomeadamente, o renano, como nos exemplos anteriores.

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