Ficou por completar a postagem anterior com a "teoria" prometida, mas, realmente, não quis misturar dois assuntos, embora relacionados. Além de que, num elogio fúnebre e mitificador, não fica muito bem um questionamento desmistificador.
Mas é uma daquelas descobertas que me parecem tão óbvias, que só por uma grande coincidência não pode ser validada.
É como aquelas cenas de filme policial ou de suspense, em que descobrem a identidade do suspeito porque utilizou o nome de solteiro da mãe "maiden name", ou porque entraram num computador porque a senha era o nome do animal de estimação do criminoso. Muito fácil, muito à vista de quem queira ver. Gato escondido com rabo de fora.
Numa série, como "NYPD blues", ou outras em repetição, resolviam o caso num episódio.
Trata-se do caso da origem do nome da banda Kiss.
Há muitas teorias estapafúrdias, como seria de esperar, num mega-fenómeno americano, e há a singela explicação oficial de que foi Paul Stanley (guitarra e vocalista principal) que escolheu o nome de Kiss/Beijo, depois de Peter Criss (baterista e vocalista) lhe dizer que tocou numa banda chamada Lips/Lábios. Tudo bem.
Mas também pode ter tido influência o próprio nome Criss que rima com Kiss. Ou seja, o grupo quando se formou, seria inicialmente a banda de Peter, já que nasceram a partir dum anúncio que este colocou e a que Paul Stanley e o baixista e vocalista Gene Simmons (saídos do grupo Wicked Lester) responderam, indo ver um concerto onde o baterista e cantor actuava. O nome, embora disfarçado, teria essa justificação. (Ace Frehley (guitarra solo) entraria logo a seguir, fixando a nomenclatura, ao desenhar o logotipo original.)
Não seria um caso inédito, em que um elemento, mesmo não o mais destacado, daria o nome a uma banda. Assim, de exemplo, temos os Fleetwood Mac, a partir do baterista Mick Fleetwood e do baixista John McVie, cujo nome foi dado pelo líder original Peter Green (guitarra e voz). A história justificou que aqueles dois continuaram sempre na banda com os seus nomes.
Mas há uma outra ligação que me custa a crer não ter tido influência, e ainda menos que não foi entendida por eles.
Gene Simmons é o nome artístico do nova-iorquino Gene Klein, nascido em Haifa, Israel, como Chaim Witz. Filho de judeus húngaros, foi com a sua mãe para os EUA, onde adoptou o apelido dela: Klein.
Klein é um nome alemão comum, nomeadamente entre os judeus da Europa Central, e antigo Império Austro-húngaro, que quer dizer Pequeno. Neste caso não foi modificado para o equivalente húngaro, mas seguramente, no pós 2ª guerra, se ele tivesse ido com a sua mãe de volta para a Hungria, o seu nome poderia ser mudado para o equivalente Kiss (Pequeno, ou também Jovem, Filho, Júnior).
Em português seria Eugénio Pequeno, em inglês Eugene Little, em alemão Eugen Klein, em húngaro Jenö Kiss.
Kiss é um nome comum (pronuncia-se "kissh"), e há figuras públicas como o antigo futebolista László Kiss ou a actriz brasileira Cássia Kiss.
Gene, filho único da sua mãe, a quem era tão chegado, sabe falar húngaro, embora pense que não é tão fluente dessa complexa língua. Certamente, antes ou depois da criação do grupo, sabe que o nome é igual ao seu adoptado, na tradução da sua origem familiar. Não será de questionar de que o nome da banda tenha essa significância, se não primeva, pelo menos simultânea?
Embora eu nunca tenha lido nada semelhante a esta teoria, parece um segredo de Polichinelo, daqueles elementos escondidos para não influir no negócio.
[O contínuo negócio da firma Klein&Eisen, isto é, dos sócios Gene Klein e Stanley Eisen, verdadeiro nome de Paul, firma cujo nome comercial poderia ser aglutinado em "Kiss". Coincidências.]
Seja como for, o nome deve-se a todos os membros originais: da palavra saída dos lábios pintados de Stanley; da rima do nome Criss/Crisscuola; da tradução do nome de Klein/Simmons; da fixação gráfica por Frehley. Beijinhos de todos.